Ensino remoto: O que aprendemos e o que pode mudar?



O ensino remoto "caiu de paraquedas" em boa parte das instituições de ensino no começo do ano passado. Antes, as aulas eram totalmente presenciais, e mesmo que algumas escolas utilizassem meios tecnológicos para ensinar, esses meios ainda não eram regra geral.


Por isso, quando nos vimos em um momento de necessidade de distanciamento social, foi preciso mudar muitos aspectos para nos adaptarmos à novidade. Por exemplo, o Conselho Nacional de Educação aprovou um parecer que possibilitou o cômputo de horas não presenciais para cumprir a carga horária do ano letivo. E isso fez com que as escolas começassem a se utilizar do ensino remoto.


Mas essa nova realidade trouxe questionamentos e transformações. E, agora, enquanto algumas escolas começam a reabrir as portas para as aulas presenciais, falamos sobre ensino híbrido.


Ou seja: o ensino remoto se tornou uma realidade que veio para ficar. Entre benefícios e dúvidas, ele resolveu problemas importantes – e trouxe mais questionamentos.


O que o ensino remoto nos ensinou


Ainda que tenha sido uma surpresa para todos, a necessidade do ensino remoto é a conclusão de algo que já vinha sendo falado há muito tempo: as escolas precisam utilizar a tecnologia em sala de aula.

Muitos professores sentiram isso na pele. Nas primeiras semanas, diversos profissionais usaram quadros brancos e o antigo modelo de sala de aula em suas classes on-line. Com o tempo, porém, foram percebendo que o efeito é diferente quando os alunos estão em suas próprias casas. A necessidade de mudança era clara.

O novo normal, portanto, exige um novo modelo de educador?


Conhecendo novas ferramentas, utilizando sites diferentes e estudando sobre metodologias ativas, os professores começaram a repensar esse modelo de aula. De tal forma que, agora, muitos percebem as grandes vantagens do ensino híbrido, especialmente para adolescentes.


Com o novo Ensino Médio com diferentes itinerários e projetos de vida, utilizar componentes tecnológicos possibilita muitos novos caminhos.Além disso, o acesso à informação ajuda a criar um ambiente de pesquisa e debate que desenvolve as competências mais importantes para o futuro, como por exemplo, o pensamento crítico e a criatividade.

As competências socioemocionais também entraram em pauta!


Assim, o ensino remoto se tornou uma importante ferramenta para auxiliar os alunos a se prepararem da melhor forma para o futuro, desenvolvendo habilidades essenciais e pensando no mundo como ele é agora, e como pode vir a ser, e não como era antes.


Por outro lado, essa nova realidade também demonstrou fatos impactantes que mostram a desigualdade em termos de tecnologia nas diferentes camadas sociais.


O ensino remoto é para todos?

A relação dos adolescentes com a internet tem sido objeto de estudo há tempos. Enquanto quase todos utilizam a rede diariamente para pesquisas, ler, conversar, assistir filmes ou séries, são poucos (57%) que participam ativamente, postando textos, imagens ou vídeos que eles mesmos fizeram. Ou seja, quando se trata de internet, eles estão acostumados a serem expectadores passivos.

Esse não foi o único problema que o ensino remoto apresentou. Na verdade, foi o menor deles. O grande problema é que o acesso à internet ainda não é igualitário entre as camadas sociais no Brasil.


Entre alunos de escolas estaduais urbanas, 33% não têm computadores ou tablets em casa. Nesse mesmo grupo, 19% acessam a internet exclusivamente pelo celular. Quando falamos de escolas particulares, no entanto, o número cai para 3%. Levando em consideração que, entre os alunos que usam tablets e computadores, muitos não fazem isso em casa, mas sim na escola. Como fica essa situação com o ensino remoto?

A resposta não é simples. Assim como as escolas e professores, os estudantes também tiveram que encontrar meios para se adaptarem. Muitos pegaram computadores emprestados. Outros, usaram os dispositivos oferecidos por ONGs. Alguns assistem as aulas pelo celular dos pais e, outros, ganharam o próprio celular.

Porém, a questão continua: se vamos continuar com o ensino remoto em 2021, é preciso encontrar uma solução efetiva. Políticas públicas que tragam a tecnologia para as escolas são essenciais. Em muitos países, o acesso à internet já é considerado um direito básico. E quando pensamos nesse cenário, podemos entender o porquê.

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